Contudo, também no caso da anunciação do Filho do Homem por Jesus, interpretações teológicas foram antepostas à Verdade! No evangelho de Marcos 8:38 podemos ler:
“Por que, se nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar alguém de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, acompanhado dos santos anjos.”
E mais adiante Marcos 13:21-26 diz em outro capítulo:
“E se então vos disser alguém: Reparai, aqui está o Cristo, ou, ei-lo acolá está não lhes dei crédito. Porque se levantarão falsos Cristos, falsos profetas, que farão prodígios e portentos para enganarem, se possíveis fora, até os mesmos escolhidos. Estai vós, pois de sobreaviso; olhai que eu vos preveni de tudo. (...)
Mas naqueles dias, depois daquela tribulação, o Sol se escurecerá, e a Lua não dará o seu resplendor e cairão as estrelas do céu. (...) E então verão o Filho do Homem que virá sobre as nuvens, com grande poder e majestade.”
Também o texto do Evangelho de João 5:25, 26,28 contém indicações referentes ao Filho do Homem:
“Em verdade, em verdade vos digo, que vem a hora e agora é em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus: e os que a ouvirem, viverão. (...) E lhe deu o poder de exercitar o Juízo, porque é o Filho do Homem. Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que se acham nos sepulcros ouvirão a voz do Filho de Deus.”
No texto de João consta nitidamente que aqueles que interpretavam os manuscritos, aliás, o que disto existia, não haviam compreendido as palavras de Jesus. Num único e pequeno trecho mencionaram uma vez “Filho de Deus” e logo adiante o “Filho do homem”! Percebe-se que os interpretadores eram inseguros, pois do contrário não teriam acrescentado as palavras “e agora é”, com referência ao Juízo. Com tal adjunção fica a impressão de que Jesus, já naquele tempo, teria realizado o Juízo...
Mesmo aquele que fez a tradução para o português, alterou algo no mesmo trecho do Evangelho de João. Pois no texto original diz: “Pois virá a hora, na qual ouvirão sua voz, todos os que estão nos túmulos (...)”.
Na tradução portuguesa da “Barsa” de 1956 está escrito: ”(...) em que todos os que se acham nos sepulcros ouvirão a voz do Filho de Deus (...)”.
Quem traduziu supôs que o próprio Cristo manteria o Juízo, acrescentando, por conseguinte: “(...) ouvirão a voz do Filho de Deus (...)”.
No texto original se deduz, pois, que os mortos nos sepulcros ouvirão a voz do Filho do Homem, ao passo que na tradução portuguesa consta que ouvirão a voz do Filho de Deus.
O LIVRO DO JUÍZO FINAL de Roselis Von Sass

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